sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Federação Anônima

A monarquia absolutista sempre se mostrou e ainda se mostra superior à república ou democracia. Até mesmo as monarquias de hoje são geralmente mais economicamente livres e desenvolvidas do que as repúblicas. Mesmo no mundo islâmico, famoso por abrigar ditaduras e grupos terroristas, há duas monarquias que figuram entre os 10 países mais livres do mundo segundo o ranking de liberdade econômica de 2012 do Fraser Institute: Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

Isso acontece porque numa monarquia, o país é propriedade privada do rei, e ele zela pela sua valorização a longo prazo, adotando medidas austeras e que visam o bom funcionamento da sociedade, como: bom nível de liberdade econômica, proteção à propriedade privada, garantia da lei, da ordem e da segurança, boa infraestrutura, etc. Ao contrário de uma república, que transforma o país numa terra de ninguém, saqueada constantemente por políticos inescrupulosos que só pensam em enriquecer e não ligam a para a valorização do ativo (o país) a longo prazo, porque não têm nada a ganhar com isso.

Tendo tudo isso em mente, descartei completamente a ideia de república ou democracia. A verdade é que cedo ou tarde esses sistemas sempre levam o país à ruína, pelo mesmo princípio que uma terra pública de livre acesso sempre acabará exaurida pela super exploração, uma vez que, não sendo de ninguém, não há qualquer interesse para que ela seja preservada e valorizada no longo prazo. Para que um país possa se valorizar e desenvolver, é preciso haver um incentivo natural para que isso aconteça, e tal incentivo só existe quando o país possui donos, ou seja, uma forma autocrática de governo, como uma monarquia absolutista. Isso também melhora os incentivos para que um movimento capaz derrube a democracia e decrete um novo sistema, afinal, para um libertador, a possibilidade de ser rei soa muito mais atraente do que a possibilidade de ser presidente.

Mas a monarquia ainda possui problemas, sobretudo em questões administrativas. Um país é terra demais para apenas uma pessoa administrar, a monarquia cai no mesmo problema da empresa familiar que cresce demais, ela se torna engessada. Isso sem falar nas garantias de sucessão, não há como garantir que o sucessor do rei será tão competente quanto ele. A história esta cheia de herdeiros de grandes empresas que destruíram o patrimônio da família, assim como príncipes que destruíram o legado de seus pais.

Por isso é preciso encontrar um mecanismo que equilibre isso e minimize os riscos da monarquia, algo que mantenha as vantagens de uma monarquia, que privatiza o governo, mas ao mesmo tempo não tenha a mesma rigidez, que seja flexível e descentralizado até certo nível. Para isso basta pegarmos o exemplo das próprias empresas: quando elas crescem demais, abrem o capital e são divididas em ações, para que possam ser administradas de forma mais eficiente.

Nesse novo sistema, o país será dividido em cidades autônomas, mas o governo de cada cidade será uma propriedade privada dividida em ações. Essas ações serão negociadas livremente numa bolsa de valores, e os acionistas escolherão um governador para administrar o planejamento urbano, a segurança e a justiça da cidade. Como numa empresa de capital aberto, o governador montará sua equipe, dividirá as tarefas, estabelecerá as taxas cobradas, os prêmios pagos aos acionistas, supervisionará as contratações, salários e estratégias a serem adotadas. A vantagem disso é que ele terá que trabalhar de verdade, terá que fazer a segurança e justiça públicas funcionarem de verdade e eliminar a corrupção, ou caso contrário o preço das ações da cidade e o prêmio pago periodicamente aos acionistas irão despencar, o que obviamente deixará os acionistas enfurecidos, podendo votar pela demissão do governador e substituição por outro mais competente. De tempos em tempos será realizada uma reunião dos acionistas de cada cidade, assim como acontece numa empresa de capital aberto.

Cada cidade autônoma terá então um governador e ações negociadas numa bolsa de valores. Esse mercado terá que seguir certas normas estabelecidas numa Constituição, para regular o funcionamento dessa máquina. A subversão sionista-esquerdista será proibida, e subversivos terão a cidadania negada, até mesmo como forma de evitar que o preço das ações seja sabotado. A preservação e expansão de todo o legado europeu cristão será uma condição fundamental para valorizar as ações das cidades.

O sistema de administração de cada cidade passará a seguir uma lógica de mercado. Isso cria uma série de vantagens e deixa esse sistema anos luz à frente de qualquer outro que já tenha surgido. Haverá forte concorrência entre cidades por moradores e investimentos, assim como uma forte seleção desses moradores, pois os acionistas não irão querer ver o preço de suas ações e o pagamento de seus dividendos caindo, o que fará com que as cidades se tornem muito bem administradas, organizadas, limpas e seguras. Juntando a isso tudo uma economia livre, com fortes garantias ao direito de propriedade privada, chegaremos numa geração de riqueza e prosperidade nunca antes vista em toda a história da humanidade.

Como numa monarquia, existirá uma autoridade central, também dividida em ações, como se a coroa fosse dividida em ações. Sua forma de financiamento será a cobrança de taxas sobre operações na bolsa de valores para o comércio de ações das cidades, que será de sua propriedade, além do repasse de uma certa porcentagem da renda de cada cidade. Esses acionistas federais elegerão o líder máximo do país, que deve zelar pela segurança e justiça nacionais, o bom funcionamento do comércio de ações das cidades, a infraestrutura nacional, política de imigração, defesa do legado genético e cultural europeu, etc.

Uma implicação a longo prazo desse sistema, é que ele estará fadado a expandir sempre, por um motivo simples: acionistas querem expandir os negócios para aumentar os lucros. Os acionistas de diversas cidades irão negociar com dirigentes de outros países para trocarem o modelo, oferecendo participação de ações em troca. Caso os dirigentes do país não aceitem, a negociação será feita diretamente com as forças armadas para a aplicação de um golpe de estado e posterior mudança para esse sistema de gerência de capital aberto, onde os colaboradores do golpe serão premiados com ações de cidades e bonificações em dinheiro. Uma última possibilidade será a organização de invasões militares para a derrubada de governos estrangeiros, o que será também muito fácil, dado o nível de avanço que tal sociedade alcançará.

Estou convencido, portanto, de que uma vez implantado, esse sistema se alastrará até atingir o planeta inteiro e eliminar completamente o esquerdismo. O nome a que cheguei para esse tipo de sistema foi o seguinte: Federação Anônima de(o)(a) (Nome do país).

15 comentários:

Anônimo disse...

Adirei esse plano!

Anônimo disse...

Se os acionistas são os donos de uma empresa, onde cada ação representa uma fatia da propriedade daquela empresa, as cidades autônomas já têm donos, seus acionistas. Sendo assim, como seria possível haver propriedade privada dentro de cidades autônomas que já têm donos?

Sidnei Santana disse...

Os acionistas não serão donos da cidade, mas sim donos da agência que mantém a ordem da cidade (segurança e justiça). Eles administram as sedes de polícia e os tribunais. Então haverá outras propriedades privadas dentro da cidade normalmente.

João Alberto disse...

Cara interessante. Mas, seria interessante também estudar os modelos de estado outrora existentes. Ao pensarmos na monarquia só lembramos de duas formas: o absolutismo e o parlamentarismo. Mas, bem antes dessa lá na alta média, a monarquia reinante era a composta de forais. Uma carta foral foi um documento que visava estabelecer um Concelho, isto é um município. A vida política girava em torno do município, havia um sistema mais descentralizado que o federalismo, chamado municipalismo. Os municípios era bem autônomos, e o governo central, isto é a monarquia, era apenas responsável pela segurança externa e alguma outras coisas. Um sistema bem próximo ao que Hoppe propõe, algo que já existiu.Eu particularmente defendo algo assim, com a diferença da inclusão de agências de segurança e arbitragens privados.

João Alberto disse...

Não sei se já o leu, mas segue uma matéria referente ao estado moderno mais libertário do mundo: O Principado de Liechtenstein.

http://www.libertarianismo.org/index.php/academia/artigosnovo/1263-o-principado-de-liechtenstein-um-modelo-de-auto-determinacao-para-um-mundo-repleto-de-caos

Sidnei Santana disse...

Sim, é mais ou menos isso mesmo, e com certeza, a concorrência de agências privadas tb seria liberada. Valeu pela sugestão, vou ler!

Lujefferson Cleberson disse...

Só uma dúvida amigo.
Os acionista teriam monopólio na segurança e na justiça, né?
E se alguém quisesse ser um concorrente ("indiretamente",mesmo sem ter ações) O que a constituição iria determinar sobre isso?
Levando em consideração que sempre pode existir alguém que faça um serviço melhor que o "seu".

Sidnei Santana disse...

Os acionistas terão o monopólio da segurança e justiça públicas, e decidirão como os habitantes da cidade irão contribuir, a exigência é que as taxas não poderão ultrapassar 5% do PIB (o suficiente para se manter uma minarquia).

No entanto, agências de segurança e justiça privadas estão liberadas para serem criadas, desde que respeitem a Constituição. Inclusive os acionistas podem determinar por exemplo que as taxas serão cobradas apenas dessas agências.

Anônimo disse...

FALSO LIBERTÁRIO DE MERDA!!!

Sidnei Santana disse...

Argumentum ad hominem

Daniel disse...

Sidnei, esse sistema não é libertária por várias razões. Primeiro, é um sistema político centralizado, mesmo que muito menos que o governo federal, mas ainda assim depende de golpes militares e instituições coercivas, como os 5% de impostos.

Eu percebo que isso deriva de alguns pressupostos sociais e políticos seus. Você supõe que não existem trocas pacíficas de regime. Mas existem, como o fim das ditaduras militares na América do Sul e o fim da União Soviética.

Para alcançar uma sociedade livre sem Estado se pressupõe um apoio geral da população, isto é, o fim da servidão voluntária como descrita por Etiéne de la Boetie e discutido por Mises.

A sua proposta ignora os valores sociais e políticos da população. Isso seria causa para a Federação Anônima, mesmo que convença um poder central como as forças armadas, enfrentar um desafio intransponível de protestos, desobediência civil e rebeliões. A Federação nunca conseguiria demonstrar seus méritos até que se tornasse uma máquina de repressão política dos que apoiam o regime democrático. Por isso, falta o libertarianismo na implantação e também na operação da federação. Mas esses aspectos podem ser sanados com revisões dos princípios.

Sidnei Santana disse...

Daniel,

A centralização, como expliquei no email que me enviou, decorre do fato de que o território, dadas as conjunturas mundiais, precisa de uma força militar forte, ou caso contrário estará fadado ao fracasso. A necessidade de uma força militar poderosa é o único motivo para a existência de um governo federal.

No caso da URSS houve um colapso total da economia do país, isso não pode ser considerado pacífico, e mesmo assim o que está aí hj na Rússia não é muito melhor que a URSS. No caso das ditaduras da América do Sul, houve sim golpe, um golpe democrático não deixa de ser golpe.

Sociedade livre sem estado, como tb expliquei no email, só seria possível se cada indivíduo pudesse declarar a independência de sua propriedade à força, e nem um exército profissional, nem a maioria da população, pudesse impedi-lo. Isso não vai acontecer, é impossível.

No início da Federação Anônima talvez possa haver algum protesto, mas não acredito que seria grandes coisas, as Forças Armadas conseguiriam controlar tranquilamente. E a longo prazo, toda insatisfação acabaria, devido a grande riqueza e prosperidade geral que seriam produzidas. O povo não iria nem lembrar mais de democracia, e estaria muito ocupado ganhando dinheiro e curtindo a vida para pensar em preocupações políticas.

vinicius soares disse...

1-Bom plano mas ñ daria certo, porque as Forças armadas teria o monopolio da segurança e da justiça. Podia mt bem varias policias descentralizadas funcionando a base de seguros por exemplo.
2- E outra eles ia ter 30% da empresa e com o monopolio da força poderiam ser influenciados pelos 70% a aumentar os impostos para mais de 5%.

Sidnei Santana disse...

1 - Não, não teriam, a criação de agências independentes de segurança e justiça são liberadas.

2 - Aumentar demais as taxas afugentaria investidores e moradores da cidade, isso faria o preço e o lucro das ações caírem. O próprio incentivo de mercado, além da concorrência entre cidades, impediria isso.

Anônimo disse...

Toda teoria deve ser comprovada. Atualmente, nenhum cientista é aceito no mundo das comprovações, senão comprovar aquilo que descreveu. O mesmo acontece com a política. Embora, a politica seja muito mais arbitrária do que a ciência, e bem mais difícil. Difícil porque o trabalho a ser desenvolvido envolve pessoas, enquanto que a ciência envolve a natureza, e a natureza, não responde à mesma medida que os seres humanos, ela simplesmente está disponível para ser analisada. Ocorre que estes entendimentos estão em frequências distintas, mas possuem pontos em comum. Qualquer cientista pode começar ou recomeçar de um ponto zero quando estuda as interações da natureza, assim como, qualquer pessoa que tenha algum entendimento sobre ciência, pode propor alguma teoria. A política também é assim, políticos podem tranformá-la, da mesma forma que pessoas comuns, também. Caro, Sidnei Santana, com todo o meu respeito, coloco aqui minhas opiniões sobre seu artigo. Esta é a primeira vez que entro em seu blog, foi através de um dos comentários do site do IMB, que o conheci. Pois bem, sua teoria, sob meu ponto de vista, é interessante. Não vou dizer que compartilho de suas ideias sobre o golpe de Estado, porque quando penso em golpe de Estado, penso em coisas ruins, já que estamos num país altamente divergente, e divergência leva à guerra. A ideia do CEO, é notável, o conceito de cidades privatizadas é realmente inovador. Vou ser sincero, não sou um profundo conhecedor sobre a história brasileira e sobre suas relações públicas internas, mas do que já li e entendo parcialmente, sua teoria, como eu despontei logo no começo, na prática é bem diferente. Não é nada fácil propor tais mudanças. Eu mesmo, na atual conjuntura política brasileira e como consequência econômica, não me posicionei a favor das manifestações que declaram o impeachment da presidenta. Sei que a indignação das pessoas reflete o posicionamento do governo atual, um governo sem metas, sem critérios, sem coesão. Não compartilho das ideias de qualquer um dos partidos, pois são todos cíclicos, começam prometendo, e terminam errando veentemente. Apesar disso, ao meu ver, um golpe de Estado seria a pior das hipóteses, demoraria, no mínimo, cinco décadas para que um sistema de governo se reestabilizasse aqui, no Brasil. Você, foi inclusive, muito ousado em elaborar uma nova Constiuiçao, e devo lembrar-lhe que tal ousadia só foi PERMITIDA porque estamos num regime democrático. Por favor, não traga o conceito das forças armadas, você viu o quanto foram ruins, o quanto oprimiram e não foram nada transparentes. Dizer que elas evoluíram, talvez até seja possível quando tratamos sobre sua atuação mediante o poder do Estado, mas dizer que elas podem oferecer alguma ajuda para a elaboração de um novo sistema de governo, está mais do que claro no que isso vai resultar. Não encare isso como uma crítica destrutiva, e sim construtiva, você, por si só, tem méritos por querer pensar em formas diferentes, formas que nos tirem deste marasmo político que estamos vivendo atualmente. Seu sistema, sua teoria, possui metas, visa o desenvolvimento econômico e social, através da inserção de um conceito empresarial. E metas são mais do que importantes, são imprescindíveis. O Brasil carece de metas, não constitucionais, mas empíricas. Vivemos uma oscilação constante de idas e vindas. Fato de democracia nova, há muito ainda o que superar. Portanto, Sidnei, não deflagro seu objetivo como ruim, mas passível de melhoras. A começar pelas forças armadas. Eu sei, é bem difícil desenvolver algo que todos concordem, visto ainda uma reforma política. Abraços. Mario Luiz.